
Se eu voltasse atrás não seria tão teimosa com certas coisas.
Se voltasse no tempo, talvez fizesse diferente, pintasse e bordasse com outras cores, usaria outras iluminações. Usaria outras tonalidades, e outras pessoas seriam o foco. Quem merecesse de fato, no momento. Quem sabe Deus tivesse um plano diferente, mais cor de vinho em cálice transparente? Quem sabe eu não deveria estar lá? Quem sabe eu não devesse falar aquilo, e aquele outro, nem ter tentado provar minhas frases como argumentos em tribunal. Ao réu, ao léu, sozinha, intrépida, corajosa e estúpida, pois sincera, ainda que não. Fosca, tosca, mundana, humana, pobre de espírito, talvez.
Tão cheia de vida, tantas coisas por fazer. Porque simplesmente não ia? Porque em vão, por que o não?
Aprendi então que, às vezes, ser generosa é ser cruel. Ser cruel, às vezes, é ter generosidade. A razão é uma filha medíocre da emoção. O coração, imperador do mundo, que guia melhor, e tão bem é capaz de acalentar uma alma, uma ferida, ou uma alegria.
As lágrimas não correm quando a lição está aprendida.
Admito a covardia, eu, que nunca pestanejei fora do foco, eu que dizia saber tudo que tava fazendo: não sei mais. Eu não sei o que tá acontecendo agora, digo, em relação a tudo, só sei que as coisas estão fluindo, escolhas estão borboletiando no meu estômago, e eu confesso, tô morrendo de medo de sair do meu ponto de equilíbrio - digo: voltar atrás com escolhas e ideais antes bem firmados - e tô mudando totalmente os conceitos com um nó -meu Deus, que nó! - que só vai se desfazer quando eu conseguir ficar mais perto de quem me faz bem - o divino, o amor, e o prazer. Que talvez sejam quase a mesma coisa.
É confuso, e tão simples, que chega a dar raiva. Mas passa rápido.
Tanta coisa boa acontecendo que, se eu não agradecer toda vez antes de dormir, seria ingratidão. Tão bom ter essa falta de palavras, pois parece que me falta o ar nessas noites de inverno, onde só sua própria companhia pode entender o que se passa. Nada mais, nenhum momento outro, sairia do complexo mundo que envolve seu mundo interno. Nem o mundo lá fora, nem os outros - ainda que aproximando-se mais- nem mesmo quem você mais ama no mundo. E amar alguém de forma tão forte, parece realmente grandioso. Maior que um avião, um navio, um continente, ou o gracejo de um pinguim caminhando, ou um filhote dormindo. Maior que todos esses. Do tamanho da vida.
Você não entende o que eu tô falando. Acha que entende, entende nada. Não tente, eu tentei, é em vão. Digo, o entendimento, e acertar o resto.
No fim das contas, unindo-me à natureza das coisas, vou fazer ficar mais e mais potente o som da música eletrônica, o frio da barriga quando eu encontrar uma grande paixão, descer de um avião e olhar pro pôr-do-sol, pensando: é tudo meu.
É tudo meu, isso tudo, assim, isso e nada. Porque nunca é igual.
"Pois a gente pode ser, ao mesmo tempo, fiel e preguiçoso" - O Pequeno Príncipe.


1 comentários:
Eu sempre procuro vir comentar alguma coisa muito interessante, que é pra não fazer feio frente à tua escrita tão maravilhosa.
É engraçado essa questão de voltar e fazer diferente, mas se diferente fizesse, como seria tudo mais? Se acertasse onde errou, acertaria de novo em tantas coisas outras?
Todos os erros e acertos fazem parte das nossas vidas. Confesso, sigo aprendiz desse negócio tão maravilhoso e complicado qeu é viver, repito erros e cometo alguns novos. Mas é tudo meu. Assim como os acertos.
Se a vida contece em ciclos, embora muita coisa seja parecida, não é sempre igual.
Eu nem sei o que quis dizer com tudo isso, mas é isso aí.
Beijos e abraços
E um café, quente.
=]
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