segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Eu permito que permitas


Eu permito que faças parte da minha vida. Conhecerás o que eu penso. Ouvirá os mesmos sons, lerá as mesmas palavras e dará o mesmo sorriso. Ouvirá o som da minha gargalhada, e compreenderás minha tristeza quando eu desviar o olhar. Sentirá o meu melhor abraço, visto que eu estarei cativada. Pertencerá à minha vida, entenderá sobre lendas, livros e espiritos, sobre arte, viagem e sonho. Sobre o significado de um olhar, e sobre a necessidade do retorno depois da ausência. Vai me ouvir falar de bichinhos, crianças, detalhes, flores, árvores, meditações, águas, cachoeiras, borboletas e frio na barriga. Vai ver eu mudar de ideia, e lutar contra o que é ruim. Vai sentir um gosto doce, às vezes. Quando amargo, saberá que é um café mais forte ou um licor qualquer. Somos piratas, sabe?

Permito que ouças meus discursos e acrescentes tua opinião. Eu serei enfática e gentil, esperando o mesmo. Conversarei sobre hipóteses e sobre cultura, dando vazão a emoção vez que outra. Sabe, essa permissão toda vai ser subjetiva. Às vezes vou te procurar pra falar que meu pé tá gelado, e que comprei meias novas, pra poder andar no chão sem carpete. Só pra ver o que tu achas, e falar sobre pantufas, e sobre sair de casa, fugir pra longe. Permito que enlouqueças comigo. Racionais e loucos na nossa transitoriedade.

Eu não permitos que caçoes de mim. Tu poderás até achar, por vezes, que uma outra piada que eu fiz foi inapropriada, ou que eu não devia estar tão triste ou tão irritadiça por tão pouco: não duvides, mesmo assim. Não duvides que eu quis rir e extraí o maior senso de humor, ou que eu realmente senti a dor mais pungente dessa vida, transformando minha alma toda num pêndulo de tristeza e sofreguidão. Acredite, vai passar. Acredite, também: às vezes soltarei a maior piada com a maior dor, e por outras, ficarei encolhida sentindo uma felicidade incontestável. Acredite, eu posso ser paradoxal. Como borboletas coloridas.

Eu não permitirei que me machuques sem eu merecer. Se fizeres mal à minha alma -que é sensível - voarei pra um lugar mais confortável e seguro. Tenho a pele macia, preciso de aconchego, bem como a minha alma que luta, luta, luta. Minha alma precisa de repouso, e mãos macias para acarinhá-la. Não permito que a trates mal, pois ela tem necessidade e urgência de vôo e amor.
Não permito que sejas medíocre. Não aceitarei pouco amor, pouca verdade, pouca tolerância, pouca amizade. Quero muito, quero agora, quero tudo. Quero que sejas livre, inclusive. E se tu quiseres ficar grudado, assim, pra sempre, eu não permito que continues comigo. Meu andar é rápido, vou pra longe, tu deves ascender também. Evolua, serás sempre recompensado...

Permito que eu te ame sem mereceres. Rezarei por ti e te acalentarei, pois sei que um dia sentirás saudades e vai querer que - talvez em outra vida - eu brinque de novo com a ponta do teu nariz ou da tua alma. Eu vou tá lá, porque eu me permito estar sempre disponível. E eu estarei, porque quero.

Não permito que sejas mau. Te corrigirei sempre, brigarei contigo, me afastarei. Estarás longe de mim, então. E que seja doce, porque eu permito então, sentir amor mesmo assim.

E é assim que vai ser.

1 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Faça uma escalinha em Sampa na volta !