quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Todo o resto


Faz um vento frio, vem agradável.
Converso futilidades com um taxista - sempre a mesma indignação com o trânsito, a política, as pessoas das festas - e ele se empolga (eles sempre se empolgam), enquanto fecho a porta, e termino o diálogo mais por esporte, do que por indignação. As coisas são como são, fato, mudam, mas nem eu e nem o taxista somos entidades sacramentadas, que não agem como imbecis. Não digo isso a ele, já abro a porta, movimento maquinal, rápido.
Chego em casa, checo o computador por mania; já acho, também, trivial sutura, sangue, fratura exposta, trivial como um café que tirei da cafeteira e esquentei no microondas. Trivial como o hambúrguer que não comi, a cerveja que não chamei, o vinho que não abri. Aliás, lindo tempo esse o nosso para tomar um vinho.
Penso comigo que esses hip hop's andam cada vez mais manjados. Penso que a cidade é boa, mas sinto também que está quase na hora de partir. Não sei de certeza. Talvez.
Sinto saudades, é normal. Pessoas que já estão longe agora. Pessoas que estão perto e longe, e logo irão pra mais longe. Eu mesma irei embora em breve, eu sei que vou mudar algumas vezes ainda. Não sei.
Ainda fico mais romântica de madrugada, pensando na vida e naqueles que já me cercaram, cortejaram, fizeram promessas não-verbais, inúmeras, ameaçadoras.
Procuro algo que ocupe a mente, me leve pra longe de ti, dos meus afazeres, de outro alguém (que não volta). Mas não é solidão, me entenda. Não é vazio, tampouco.
É um entendimento. Talvez nada disso, talvez uma sensação efêmera de conforto.
Café e um pouco de chocolate, fazia tempinho que não fazia isso. Faz sol aqui, o verão ainda não sucumbiu meu cérebro, e sinto que realmente vou triunfar. Talvez hoje, talvez amnahã, mas vai dar certo...

0 comentários: