
A dor é aquele sentimento inoportuno e voraz, que aparece quando você menos espera. Pode trocar o termo por paixão, dá no mesmo.
Mas falo de dor, não de paixão. Porque paixão é - pra ser - prazeroso. O problema é a dor, digo, nada a ver com a paixão, agora, quando o discurso é sobre a dor. A dor surge inefasta, e arranca todos teus pensamentos, para focar-se melhor no seu alvo. Ela faz com que seus problemas sejam esquecidos, ela agudiza a existência de uma forma frustrante e, ainda que sabendo-se, auto-limitada, de forma quase infindável. Ao menos para quem a sente. Para quem sente, nunca é esquecida. Não naquele momento, depois passa como algo amargo, algo que não se quer relembrar. Não como a paixão, ao menos não pra quem tem a ombridade de vivenciá-la.
Nos sabemos pequenos quando sentimos a dor. Ela vem como uma vertente, ávida, intrínseca, no alvo, indúbita, ela simplesmente está lá, pulsátil e intransferível. Como esquecer a dor? Se física, não há como extirpá-la sem os devidos meios químicos. Não há como se pensar em algo, que não seja no máximo amenizante. A dor pulula, e não cessa.
Mas vai passar.
Apesar que agora, isso não baste.


1 comentários:
A dor corroi. A física passa dentre algum tempo.... a do coração... ah, esta demora mais e deixa sequelas incríveis!
Adorei seu texto, mais uma vez!
Feliz 2012 pra vc, que seja de poucas dores e muitas alegrias, muito sucesso!
BeijO grande e te espero lá no blog!
evesimplesassim.blogspot.com
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